Por que estamos deixando os cachorros doentes?

 

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“Ele é misturado?”, as pessoas às vezes perguntam quando veem um cachorro natural como os da foto acima. Mas um cachorro “vira-lata” não é uma mistura de raças, como se diz por aí. Por causa da crença de que “raças” caninas são naturais e normais, os humanos estão tornando a vida de vários cachorros sofrida e deixando-os seriamente doentes.

Um em cada quatro cães de raça possui algum defeito genético grave. 63% dos golden retriever terão câncer, metade dos são bernardo terão problemas nos quadris e 80% dos collies ficam parcial ou totalmente cegos. Sem falar no pug, que passa a vida sem respirar direito, e dos “salsichinhas”, que não conseguem sentar adequadamente porque suas pernas curtas os tornam desajeitados e com problemas na coluna. Por serem assim, e sofrerem assim, alguns cachorros se tornam um produto atraente para algumas pessoas.

Cães de raça são um “funil genético”. Um resultado de experimentos mendelianos para tornar um cachorro-produto adequado a todos os gostos dos fregueses, ainda que eles fiquem doentes nesse processo. É capitalismo exacerbado, puro e aplicado.

Nem toda raça sofre tanto. Algumas foram aparecendo espontaneamente por conta de cruzamentos endêmicos e isso permitiu adequações. É o caso do Cão de Canaã e do Kangal. No entanto, a criação de raças aumentou com o incremento do sistema econômico e, das vinte raças que existiam em 1800, fez-se artificialmente mais de 400 hoje em dia (sem contar as não-oficializadas). Esse aumento foi alcançado com incesto: cruza-se uma mãe com focinho curto com um filho de focinho curto e, depois, com o neto de focinho curtíssimo. Assim se cria uma raça sem focinho. Isto é, uma raça inteira que sofrerá problemas respiratórios, além de aumentarem os riscos de doenças genéticas devido aos cruzamentos consanguíneos.

É preciso encarar a realidade de que raças caninas são, em sua imensa maioria, anomalias que criam sofrimentos aos bichos. Por isso, um cachorro vira-lata é um cachorro “natural”, misturado geneticamente como são os seres vivos. Ele não é uma mistura de raças: elas que são um pedacinho da genética de um cão saudável.

Diante disso, resta a cada pessoa que ama cachorros responder a uma questão: prefere-se financiar a indústria do sofrimento e da doença ou adotar um cachorro que está abandonado e precisa de ajuda? A conclusão pode ser uma realidade inconveniente para alguns. Não compre, adote.

 

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One thought on “Por que estamos deixando os cachorros doentes?

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