Racismo, sexismo… Especismo?

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O movimento abolicionista combatia a escravidão humana em uma época em que o uso de mão de obra escrava era tido como natural e tratar seres de outra origem étnica como propriedade era o padrão. No século XVIII e XIX, em boa parte do mundo, a cultura e a economia estavam sustentadas no escravismo e os que questionavam essa base eram tidos como utópicos.

No livro “Libertação Animal”, Peter Singer cunhou o termo especismo, significando a discriminação contra seres de outra espécie. Ele sustentou que todos os seres que são capazes de sofrer devem ter seu bem-estar levado em conta e que o modelo atual da indústria de alimentação de origem animal gera sofrimento desnecessário.

Segundo esta ótica, a qualificação atual dos animais como propriedade e a forma como a indústria alimentícia obtém seus lucros através de tortura e abate desnecessários de animais poderiam ser tidos como eticamente errados.

O autor ponderou que, do modo que a comida é produzida hoje, o vegetarianismo seria a única dieta moralmente aceitável e condenou também experiências com animais. Para Singer e outros defensores dos animais, essas atividades se justificam apenas em casos em que sejam pesados com justiça os benefícios e o sofrimento causado.

Essa proposta formou uma sólida base para os movimentos de direitos dos animais.

5 plantas ideais para uma horta urbana

Hortas urbanas são ferramentas simples de prover um mínimo de autossuficiência, embelezando a cidade e proporcionando a opção de vegetais orgânicos em detrimento da comida produzida em larga escala pelas grandes corporações.

Podem ser comunitárias, individuais ou familiares. Podem ser plantadas em vasos ou no solo. Só não podem faltar essas cinco plantas, escolhidas tanto por sua utilidade quanto por sua resistência.

1- Tomate

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O tomateiro é um clássico das hortas urbanas. Vive bem em vasos de tamanho médio e pode dar frutos fortes e bonitos mesmo em condições nem tão favoráveis. Por ser um dos alimentos populares mais contaminados com agrotóxicos, é um item indispensável da horta urbana. Assim evita-se financiar o agronegócio de tomate, que envenena o trabalhador, a água e o solo. O tomateiro produz bem, mas é frágil. O replantio se faz constante após cada safra.

2- Beterraba

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Plantar beterraba em pequena escala é muito útil, sim. Seu alimento não está só nas raízes, que precisariam ser arrancadas, mas também nas folhas! Amarquinhas e coloridas, as folhas da beterraba podem ser comidas cruas ou refogadas. Esqueceu de comprar alface na feira essa semana? Corta as folhas da beterraba da horta e pronto.

3- Alecrim

Resistente, abundante e saboroso, esse tempero não pode faltar. Nasce bem em vasos pequenos e dura muito. Seu cheiro forte espanta os insetos, de modo que não há muita razão para se preocupar com pragas. Apenas algumas de suas folhas já dão sabor a um prato.

4- Gengibre

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Bonito, resistente e útil, o gengibre nasce à toa, bastando colocar na terra a raiz que se compra nas feiras e mercados. O crescimento é realmente muito rápido! Por suas utilidades gastronômicas e medicinais, é uma planta muito boa de se ter sempre à mão.  Na comida, o sabor é marcante e picante. Na saúde, o gengibre é expectorante e ativa a circulação. Suas folhas têm sabor mais suave que a raiz e podem ser usadas em pratos e infusões, evitando a necessidade de ter de arrancar a raiz.

5- Hortelã

As plantas da família das mentas crescem fácil e saudáveis em vasos médios e até mesmo nos pequenos. Seu sabor refrescante está sempre presente na comida árabe e em drinques como o mojito. Além da finalidade gastronômica, a hortelã é expectorante e funciona bem em infusões.

Estudo confirma impactos do consumo global na perda da biodiversidade – no Brasil, a vilã é a agropecuária

Um estudo da Nature, Ecology & Evolution demonstra a responsabilidade do consumo global sobre a redução da biodiversidade. Mapeando as compras feitas nos países com mais alto consumo (EUA, Japão e China), os pesquisadores encontraram os efeitos de devastação nos locais de onde saíram as matérias-primas.

Por exemplo, os pesquisadores mapearam a pressão que os consumo de café desses países exercem sobre as florestas da América Central. Assim como o habitat do lince ibérico estaria ameaçado graças ao consumo de morango e outros produtos agrícolas.

Já no Brasil, a maior ameaça constatada vem do consumo de carne dos norte-americanos. As práticas da agropecuária extensiva, sobretudo nas áreas centrais do território brasileiro, entraram no mapa dos pesquisadores.

Link da pesquisa: http://www.nature.com/articles/s41559-016-0023

Ano novo, pecuária velha: um hábito injusto e danoso

DesmatamentoANO NOVO e a gente reclamando dos acontecimentos. Protestamos, doamos, nos organizamos, assinamos abaixo-assinado e agora estamos aí, cabisbaixos, que não adiantou nada. Mas será que fizemos mesmo o mínimo, o básico, o mais eficiente dentro do cotidiano para tornar o mundo um pouco melhor?

DESIGUALDADE. Um terço da população mundial vive majoritariamente de grãos e raízes, quase não come carne e não pode pagar por ela. Mas nós podemos. E com esse poder, consumimos muito mais recursos naturais que os demais. Um quilo de bife consome dez vezes mais água em sua produção que um quilo de cereal. Cada caloria de carne bovina produzida consome o mesmo que dez calorias de vegetais. Significa que, para manter a dieta carnívora de poucos, muitos terão negado seu acesso a recursos naturais vitais no futuro.

FOME, DESMATAMENTO E REFORMA AGRÁRIA. Quase 70% de toda área de produção de alimentos é ocupada pela pecuária, que alimenta bem menos pessoas. São 13,6 bilhões de hectares pro gado e mais 1/3 de toda a área da agricultura, que é dedicada a alimentar esse mesmo gado. Da vilã da Amazônia, a soja brasileira, 70℅ vão para ração de boi. Propondo que boa parte dessas terras fosse dedicada à agricultura para alimentar pessoas, teríamos mais alimentos e menor preço. Seria possível generalizar a agricultura orgânica, que precisa de mais espaço que a envenenada. Isso ajudaria na questão da fome, da reforma agrária e diminuiria as tensões no campo. Com tecnologia e esforço político, também daria para fazer grande reflorestamento onde há pastos.

SAÚDE PÚBLICA. Os gastos em saúde pública com doenças que poderiam ser evitadas com uma dieta não-carnívora chegam a 3% do PIB mundial. É um dinheiro que poderia ser usado em pesquisa e em tratamento de doenças que não são evitáveis.

CLIMA. A produção de carne responde por 18% das emissões de gases do efeito estufa. Vacas, em um número absurdamente artificial, peidam metano, que se acumula na atmosfera. Quatro pessoas carnívoras causam, com seu hábito alimentar, a emissão de mais gases que dois carros de uso médio. Uma redução branda no consumo de carne, nos níveis recomendados pela OMS, poderia baixar 15 a 40% as emissões. Isso ajudaria a evitar milhões de refugiados de tragédias ambientais que se espera para 2050.

TORTURA. Para atender a demanda de leite e carne, os empresários aumentam a produção recorrendo a métodos de tortura e confinamento de animais. Não se trata da morte em si, que existe na cadeia alimentar, mas de tortura sistemática de bichos que têm sistema nervoso complexo, capazes de sentir sofrimento como nós.

POR FIM, é claro que há limites para o voluntarismo pessoal porque mudanças são políticas e também precisam de organização e pressão. O consumo ético dentro de um sistema econômico injusto não é solução. Mas não fazer o mínimo na prática pessoal é fazer muito pouco. Existe um jeito eficaz e fácil de colaborar com o futuro, com as pessoas, com os bichos. É simples e sem pirotecnia. É reduzir o consumo de carnes. O futuro é de todos e começa no próximo ano. Vamos?

 

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(http://www.ihu.unisinos.br/images/ihu/2016/09/12_desmatamento_youtube.jpg)