Temer mutilou a Amazônia em prol do agronegócio

O “presidente” Michel Temer assinou duas medidas provisórias que regularizaram posseiros latifundiários dentro de reservas ambientais na Amazônia. Trata-se das MPs 756 e 758, que foram publicadas no Diário Oficial no dia 19 de dezembro. A ação do “governo” Temer faz parte de um plano de flexibilização da regulação ambiental no entorno da BR-163, com finalidade de escoar a produção do agronegócio vinda do Mato Grosso em direção à Santarém, no Pará.

Essa inciativa desrespeita a Constituição, a proteção do meio ambiente e o combate ao desmatamento, passando a mensagem que invadir área pública de preservação vale a pena se a invasão for feita pelo agronegócio e pelo latifúndio.

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Tais reservas foram criadas em 2006, formando uma barreira verde de mais de 6,4 milhões de hectares e visavam, além da preservação, responder aos anseios sociais após um ano da morte da missionária Dorothy Stang – mais uma entre os muitos ativistas ambientais assassinados por ano no Brasil.

Com a “barreira verde” preservada desde 2006, foi interrompido o processo de desmatamento que chegava a 650% entre 2001 e 2004.

Uma das reservas afetadas pela MP assinada por Temer, a Floresta Nacional do Jamanxim, guarda o vulcão mais antigo do mundo. Agora, sua área perdeu 743,5 hectares para 257 propriedades rurais de médio e grande porte. Desta parte, 81% dos posseiros latifundiários praticam a pecuária como atividade principal.

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Estudo confirma impactos do consumo global na perda da biodiversidade – no Brasil, a vilã é a agropecuária

Um estudo da Nature, Ecology & Evolution demonstra a responsabilidade do consumo global sobre a redução da biodiversidade. Mapeando as compras feitas nos países com mais alto consumo (EUA, Japão e China), os pesquisadores encontraram os efeitos de devastação nos locais de onde saíram as matérias-primas.

Por exemplo, os pesquisadores mapearam a pressão que os consumo de café desses países exercem sobre as florestas da América Central. Assim como o habitat do lince ibérico estaria ameaçado graças ao consumo de morango e outros produtos agrícolas.

Já no Brasil, a maior ameaça constatada vem do consumo de carne dos norte-americanos. As práticas da agropecuária extensiva, sobretudo nas áreas centrais do território brasileiro, entraram no mapa dos pesquisadores.

Link da pesquisa: http://www.nature.com/articles/s41559-016-0023

Ano novo, pecuária velha: um hábito injusto e danoso

DesmatamentoANO NOVO e a gente reclamando dos acontecimentos. Protestamos, doamos, nos organizamos, assinamos abaixo-assinado e agora estamos aí, cabisbaixos, que não adiantou nada. Mas será que fizemos mesmo o mínimo, o básico, o mais eficiente dentro do cotidiano para tornar o mundo um pouco melhor?

DESIGUALDADE. Um terço da população mundial vive majoritariamente de grãos e raízes, quase não come carne e não pode pagar por ela. Mas nós podemos. E com esse poder, consumimos muito mais recursos naturais que os demais. Um quilo de bife consome dez vezes mais água em sua produção que um quilo de cereal. Cada caloria de carne bovina produzida consome o mesmo que dez calorias de vegetais. Significa que, para manter a dieta carnívora de poucos, muitos terão negado seu acesso a recursos naturais vitais no futuro.

FOME, DESMATAMENTO E REFORMA AGRÁRIA. Quase 70% de toda área de produção de alimentos é ocupada pela pecuária, que alimenta bem menos pessoas. São 13,6 bilhões de hectares pro gado e mais 1/3 de toda a área da agricultura, que é dedicada a alimentar esse mesmo gado. Da vilã da Amazônia, a soja brasileira, 70℅ vão para ração de boi. Propondo que boa parte dessas terras fosse dedicada à agricultura para alimentar pessoas, teríamos mais alimentos e menor preço. Seria possível generalizar a agricultura orgânica, que precisa de mais espaço que a envenenada. Isso ajudaria na questão da fome, da reforma agrária e diminuiria as tensões no campo. Com tecnologia e esforço político, também daria para fazer grande reflorestamento onde há pastos.

SAÚDE PÚBLICA. Os gastos em saúde pública com doenças que poderiam ser evitadas com uma dieta não-carnívora chegam a 3% do PIB mundial. É um dinheiro que poderia ser usado em pesquisa e em tratamento de doenças que não são evitáveis.

CLIMA. A produção de carne responde por 18% das emissões de gases do efeito estufa. Vacas, em um número absurdamente artificial, peidam metano, que se acumula na atmosfera. Quatro pessoas carnívoras causam, com seu hábito alimentar, a emissão de mais gases que dois carros de uso médio. Uma redução branda no consumo de carne, nos níveis recomendados pela OMS, poderia baixar 15 a 40% as emissões. Isso ajudaria a evitar milhões de refugiados de tragédias ambientais que se espera para 2050.

TORTURA. Para atender a demanda de leite e carne, os empresários aumentam a produção recorrendo a métodos de tortura e confinamento de animais. Não se trata da morte em si, que existe na cadeia alimentar, mas de tortura sistemática de bichos que têm sistema nervoso complexo, capazes de sentir sofrimento como nós.

POR FIM, é claro que há limites para o voluntarismo pessoal porque mudanças são políticas e também precisam de organização e pressão. O consumo ético dentro de um sistema econômico injusto não é solução. Mas não fazer o mínimo na prática pessoal é fazer muito pouco. Existe um jeito eficaz e fácil de colaborar com o futuro, com as pessoas, com os bichos. É simples e sem pirotecnia. É reduzir o consumo de carnes. O futuro é de todos e começa no próximo ano. Vamos?

 

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(http://www.ihu.unisinos.br/images/ihu/2016/09/12_desmatamento_youtube.jpg)