Glitter e purpurina: a brincadeira de carnaval que destrói a vida nos oceanos

Depois da festa, quando você toma banho, as partículas coladas em seu corpo escorrem pelo ralo e se juntam às 8 milhões de toneladas de plástico que são lançadas nos oceanos todos os dias.

glitter1

É típico do carnaval de rua: corpos pouco vestidos mas com muita purpurina e glitter, em uma festa bonita e colorida. Mas o que acontece depois? Se você pensou ressaca, você acertou também. Mas a ressaca passa e a vida segue, enquanto o glitter e a purpurina vão aniquilando a vida por onde passam.

Microplásticos é como são chamados as minúsculas partículas feitas desse material que, basicamente, não se decompõe. No caso dos microplásticos usados na pele durante o carnaval, é comum que sejam feitos de copolímeros de plástico e folículos de alumínio. Depois da festa, quando você toma banho, as partículas coladas em seu corpo escorrem pelo ralo e se juntam às 8 milhões de toneladas de plástico que são lançadas nos oceanos todos os anos.

Os microplásticos são do pior tipo possível. Por conta de seu tamanho, é praticamente impossível recolhê-los e, por essa razão, eles somam 85% de todo o plástico encontrado na natureza. Nas águas, os plásticos costumam matar peixes, tartarugas e outros seres, que os ingerem confundindo com comida. O glitter e a purpurina são ainda mais maléficos: podem ser engolidos desde pelos seres mais diminutos até os do topo da cadeia alimentar.

Além da morte dos animais, há ainda a questão econômica. Com a diminuição da vida aquática, toda a pesca fica prejudicada e, também, todos os povos e comunidades que dependem dela para sobreviver.

Você pode até pensar que as grandes indústrias poluem demais o ambiente e que um pouquinho de glitter não vai fazer esse mal todo. Mas, convenhamos, o glitter e a purpurina são tão necessários assim? Fazer menos que o mínimo para tornar o mundo melhor é realmente fazer muito pouco.

O espírito anárquico do carnaval não combina com prepotência. Neste carnaval, divirta-se sem destruir. Cuide dos oceanos e descuide do resto. Boa festa!

Curta a página do PEDRA no facebook e leia outros textos

– As doenças que estamos causando aos cachorros

– Temer mutilou a Amazônia em prol do agronegócio

– A escravidão indígena no Brasil


Adendo Glitter: Muitas pessoas perguntaram se retirar as purpurinas com algodão e demaquilante resolveria a questão. Bem, plástico continua sendo plástico e pode levar mais de um milhão de anos para se decompor. Na terra ou na água, ele terá impacto. A política do consumo humano racional e autoconsciente costuma seguir os 4Rs: recuse, reduza, reutilize, recicle.

Adendo 2: A postagem deu enorme polêmica no Facebook. Houve até quem dissesse que o texto culpabilizou os indivíduos em detrimento dos grandes poluidores. Mas lá na parte “Sobre” está explícito, também, um dos eixos centrais da página: “Reversão dos problemas ambientais através de ações tanto políticas quanto pessoais e o reconhecimento da responsabilidade de todos na solução”. Ou seja, o PEDRA não apoia a espera por uma solução que vá cair do céu. E por isso apoia tanto soluções macropolíticas quanto soluções a partir da ação individual e, principalmente, a partir de organização política de base.

Comentário sobre a repercussão aqui.


Leia mais:

(Fonte da imagem: http://www.fauna-flora.org/wp-content/uploads/Microplastics-Credit-Joe-Dowling-Sustainable-Coastlines-Marine-Photobank.jpg)