O advogado abolicionista virou filme

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Virou filme a luta do advogado progressista Steven Wise nos tribunais dos EUA. Ele advoga pelos direitos da pessoa não-humana, solicitando habeas corpus para animais enjaulados, que não cometeram crime algum e passam a vida atrás das grades.
Com isso ele abre um discussão jurídico-filosófica, pois o Direito entende os bichos como meras propriedades dos humanos. E é precisamente e sta distorção hierarquizante que está na raiz dos problemas socioambientais.
O humano sobre os bichos e sobre a natureza, o homem sobre a mulher, o branco sobre o índio… São distorções que dão razão à lógica absolutamente irracional do crescimento econômico ilimitado, da distribuição injusta de recursos, da desigualdade de gênero e dos uso dos animais não-humanos como propriedade.
Através do documentário, entra-se na discussão proposta por Wise: quem deve ser considerado uma pessoa legal? Seria baseado apenas na categoria biológica arbitrária de nossa espécie? Ou será que deveríamos ampliá-la para caber os bichos com sistema nervoso complexo, capazes de sentir e sofrer de forma muito semelhante à nós?
O trabalho de Wise e de vários ativistas ao redor do mundo tem criado uma rede de cooperação para libertação animal, a partir da matriz norte-americana do Nonhuman Rights Project, que orienta ações em outros países.
Para assistir ao trailer do filme Unlocking the Cage, clique abaixo:

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Racismo, sexismo… Especismo?

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O movimento abolicionista combatia a escravidão humana em uma época em que o uso de mão de obra escrava era tido como natural e tratar seres de outra origem étnica como propriedade era o padrão. No século XVIII e XIX, em boa parte do mundo, a cultura e a economia estavam sustentadas no escravismo e os que questionavam essa base eram tidos como utópicos.

No livro “Libertação Animal”, Peter Singer cunhou o termo especismo, significando a discriminação contra seres de outra espécie. Ele sustentou que todos os seres que são capazes de sofrer devem ter seu bem-estar levado em conta e que o modelo atual da indústria de alimentação de origem animal gera sofrimento desnecessário.

Segundo esta ótica, a qualificação atual dos animais como propriedade e a forma como a indústria alimentícia obtém seus lucros através de tortura e abate desnecessários de animais poderiam ser tidos como eticamente errados.

O autor ponderou que, do modo que a comida é produzida hoje, o vegetarianismo seria a única dieta moralmente aceitável e condenou também experiências com animais. Para Singer e outros defensores dos animais, essas atividades se justificam apenas em casos em que sejam pesados com justiça os benefícios e o sofrimento causado.

Essa proposta formou uma sólida base para os movimentos de direitos dos animais.

Por que estamos deixando os cachorros doentes?

 

 

“Ele é misturado?”, as pessoas às vezes perguntam quando veem um cachorro natural como os da foto abaixo. Mas um cachorro “vira-lata” não é uma mistura de raças, como se diz por aí. Por causa da crença de que “raças” caninas são naturais e normais, os humanos estão tornando a vida de vários cachorros sofrida e deixando-os seriamente doentes.

Um em cada quatro cães de raça possui algum defeito genético grave. 63% dos golden retriever terão câncer, metade dos são bernardo terão problemas nos quadris e 80% dos collies ficam parcial ou totalmente cegos. Sem falar no pug, que passa a vida sem respirar direito, e dos “salsichinhas”, que não conseguem sentar adequadamente porque suas pernas curtas os tornam desajeitados e com problemas na coluna. Por serem assim, e sofrerem assim, alguns cachorros se tornam um produto atraente para algumas pessoas.

Cães de raça são um “funil genético”. Um resultado de experimentos mendelianos para tornar um cachorro-produto adequado a todos os gostos dos fregueses, ainda que eles fiquem doentes nesse processo. É capitalismo exacerbado, puro e aplicado.

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Nem toda raça sofre tanto. Algumas foram aparecendo espontaneamente por conta de cruzamentos endêmicos e isso permitiu adequações. É o caso do Cão de Canaã e do Kangal. No entanto, a criação de raças aumentou com o incremento do sistema econômico e, das vinte raças que existiam em 1800, fez-se artificialmente mais de 400 hoje em dia (sem contar as não-oficializadas). Esse aumento foi alcançado com incesto: cruza-se uma mãe com focinho curto com um filho de focinho curto e, depois, com o neto de focinho curtíssimo. Assim se cria uma raça sem focinho. Isto é, uma raça inteira que sofrerá problemas respiratórios, além de aumentarem os riscos de doenças genéticas devido aos cruzamentos consanguíneos.

É preciso encarar a realidade de que raças caninas são, em sua imensa maioria, anomalias que criam sofrimentos aos bichos. Por isso, um cachorro vira-lata é um cachorro “natural”, misturado geneticamente como são os seres vivos. Ele não é uma mistura de raças: elas que são um pedacinho da genética de um cão saudável.

Diante disso, resta a cada pessoa que ama cachorros responder a uma questão: prefere-se financiar a indústria do sofrimento e da doença ou adotar um cachorro que está abandonado e precisa de ajuda? A conclusão pode ser uma realidade inconveniente para alguns. Não compre, adote.

 

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Vídeo: 

Ano novo, pecuária velha: um hábito injusto e danoso

DesmatamentoANO NOVO e a gente reclamando dos acontecimentos. Protestamos, doamos, nos organizamos, assinamos abaixo-assinado e agora estamos aí, cabisbaixos, que não adiantou nada. Mas será que fizemos mesmo o mínimo, o básico, o mais eficiente dentro do cotidiano para tornar o mundo um pouco melhor?

DESIGUALDADE. Um terço da população mundial vive majoritariamente de grãos e raízes, quase não come carne e não pode pagar por ela. Mas nós podemos. E com esse poder, consumimos muito mais recursos naturais que os demais. Um quilo de bife consome dez vezes mais água em sua produção que um quilo de cereal. Cada caloria de carne bovina produzida consome o mesmo que dez calorias de vegetais. Significa que, para manter a dieta carnívora de poucos, muitos terão negado seu acesso a recursos naturais vitais no futuro.

FOME, DESMATAMENTO E REFORMA AGRÁRIA. Quase 70% de toda área de produção de alimentos é ocupada pela pecuária, que alimenta bem menos pessoas. São 13,6 bilhões de hectares pro gado e mais 1/3 de toda a área da agricultura, que é dedicada a alimentar esse mesmo gado. Da vilã da Amazônia, a soja brasileira, 70℅ vão para ração de boi. Propondo que boa parte dessas terras fosse dedicada à agricultura para alimentar pessoas, teríamos mais alimentos e menor preço. Seria possível generalizar a agricultura orgânica, que precisa de mais espaço que a envenenada. Isso ajudaria na questão da fome, da reforma agrária e diminuiria as tensões no campo. Com tecnologia e esforço político, também daria para fazer grande reflorestamento onde há pastos.

SAÚDE PÚBLICA. Os gastos em saúde pública com doenças que poderiam ser evitadas com uma dieta não-carnívora chegam a 3% do PIB mundial. É um dinheiro que poderia ser usado em pesquisa e em tratamento de doenças que não são evitáveis.

CLIMA. A produção de carne responde por 18% das emissões de gases do efeito estufa. Vacas, em um número absurdamente artificial, peidam metano, que se acumula na atmosfera. Quatro pessoas carnívoras causam, com seu hábito alimentar, a emissão de mais gases que dois carros de uso médio. Uma redução branda no consumo de carne, nos níveis recomendados pela OMS, poderia baixar 15 a 40% as emissões. Isso ajudaria a evitar milhões de refugiados de tragédias ambientais que se espera para 2050.

TORTURA. Para atender a demanda de leite e carne, os empresários aumentam a produção recorrendo a métodos de tortura e confinamento de animais. Não se trata da morte em si, que existe na cadeia alimentar, mas de tortura sistemática de bichos que têm sistema nervoso complexo, capazes de sentir sofrimento como nós.

POR FIM, é claro que há limites para o voluntarismo pessoal porque mudanças são políticas e também precisam de organização e pressão. O consumo ético dentro de um sistema econômico injusto não é solução. Mas não fazer o mínimo na prática pessoal é fazer muito pouco. Existe um jeito eficaz e fácil de colaborar com o futuro, com as pessoas, com os bichos. É simples e sem pirotecnia. É reduzir o consumo de carnes. O futuro é de todos e começa no próximo ano. Vamos?

 

FONTES:

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FONTE DA IMAGEM:

(http://www.ihu.unisinos.br/images/ihu/2016/09/12_desmatamento_youtube.jpg)