A cooperação como um fator de evolução: um livro fundamental do biorregionalismo

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Quando alguns pretenderam enxergar na natureza a justificativa para aceitar os problemas e injustiças sociais, o russo Piotr Kropotkin reagiu. Todo o conhecimento empírico de suas viagens e pesquisas o levavam a uma inequívoca conclusão: na natureza, a cooperação era tão importante quanto a competição para a evolução. E na sociedade não haveria de ser diferente.

O livro “Mutualismo – um fator de evolução” foi escrito como resposta ao darwinismo social, sistema de ideias que deturpava a teoria da evolução das espécies. Os darwinistas sociais, e em especial o autor Thomas H. Huxley, consideravam a biologia de Darwin apenas parcialmente, ignorando partes fundamentais, e defendiam que a sociedade deveria derivar daquela ordem.  O darwinismo social justificava a desigualdade e a miséria do capitalismo como sendo natural, vinda do mundo biológico.

Kropotkin descreve suas próprias experiências em expedições científicas como geógrafo para mostrar que a competição por meios de sobrevivência não é o principal fator para a evolução das espécies. Ele examina outra interação ecológica, a cooperação, como essencial. O autor defende, sobretudo, que a competição intraespécies seria ainda mais rara, demorada, realizada ao longo de um tempo grande. Ou seja, não seria exatamente uma competição entre indivíduos, mas entre genes mais adaptáveis.

Sua análise não para na biologia. Além das comunidades animais, o autor fala das sociedades tribais, pré-feudais, das vilas medievais e das comunas. Sem negar a virtude da competição, ele demonstra que a ajuda mútua é a força motriz da sobrevivência e da evolução.

Na descrição da cooperação nas comunidades humanas, o autor acaba lançando a ideia do biorregionalismo, já posta em prática nas comunas apresentadas por ele. Um dos famosos propositores desta ideias, o poeta (ganhador do Pullitzer), linguista e antropólogo Gary Snyder, afirma que o livro de Kropotkin foi uma de suas inspirações:

“Eu estudei a escola kropotkiniana do anarquismo e seu grande livro, “Ajuda Mútua”. E o mutualismo meio que se transformou no corpo do projeto biorregional na minha cabeça. Como anarquismo é muito mal compreendido, eu geralmente uso o termo biorregionalismo atualmente”.

Entrevista de Gary Snyder para a Medium, em 2015

Na juventude, Snyder havia proposto a ideia de anarquismo budista, que se parece bastante com a ideia central do movimento do anarquismo verde. Kropotkin ainda seria grande influência nos trabalhos de um dos precursores do ambientalismo, Murray Bookchin (curiosamente, Snyder e Bookchin não se davam muito bem, apesar de versarem sobre temas semelhantes).

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O biorregionalismo defende que uma comunidade, independente de sua densidade, se estabeleça nos limites de uma região biológica (lençol freático, bioma, zona climática), de modo a depender dela e mantê-la. O modelo propõe uma economia e uma política descentralizadas, voltadas para atender as necessidades humanas sem deixar de manter a região biológica em condições saudáveis.

Para baixar o livro de Kropotkin, clique aqui: Ajuda-Mútua-um-fator-de-evolução-Piotr-Kropotkin

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